
Embaixadora Extraordinária e Plenipotenciária
República Democrática de Timor-Leste
no Japão · Tóquio
Nascida a 3 de outubro de 1964 — Orlalan, Laclubar
Há algo que nunca mudou em Maria Terezinha da Silva Viegas desde a sua juventude nas colinas de Laclubar: a convicção firme de que a pátria merece sempre ser defendida — com os meios que se tiver, das mãos manchadas de terra às palavras proferidas nas salas de reunião internacionais.
3 de outubro de 1964 — Orlalan, Laclubar, Timor-Leste
Maria Terezinha da Silva Viegas nasceu a 3 de outubro de 1964 em Orlalan, uma aldeia no interior de Laclubar. Ali, manhãs enevoadas e frias desciam das colinas, e a vida seguia o ritmo da terra — não o de um relógio urbano. Cresceu numa família simples, mas que acreditava que a dignidade não se guarda com bens materiais, mas na forma como alguém se mantém de pé. Foram esses valores que a formaram: uma mulher serena por fora, mas inabalável por dentro.
Ao escolher a sua área de estudos, optou por Agronomia — a ciência da terra, de como algo cresce a partir de raízes bem cuidadas. Essa escolha pareceu um prolongamento natural do que aprendera na sua terra natal: que nada muda de forma significativa a não ser que se comece pelo mais essencial. Essa forma de pensar nunca a abandonou de facto, mesmo muito depois de ter trocado os campos pelas salas de poder.
Legado Constitucional
Terezinha foi uma das arquitetas por detrás do Artigo 17.º da Constituição de Timor-Leste — a disposição que garante a igualdade entre homens e mulheres perante a lei. Serviu como Secretária da Comissão Legislativa do Conselho Nacional da ETTA em 2001, sendo uma das treze mulheres que integraram aquela instituição histórica. Esse artigo permanecerá muito depois de todos os cargos que exerceu.

Fórum de Embaixadoras junto à Primeira-Ministra Sanae Takaichi, Tóquio, Janeiro de 2026
Durante os anos de ocupação, Terezinha vivia o quotidiano em Díli como uma mulher comum — trabalhando, deslocando-se, sem chamar a atenção. Mas por trás dessa normalidade, integrava discretamente uma rede de resistência clandestina: fazendo chegar cartas, transmitindo informações, levando abastecimentos aos combatentes nas montanhas. O risco era real. Ainda assim, escolheu não recuar.
Foi através dessa rede que conheceu António João Gomes da Costa, comandante armado conhecido pelo nome de guerra Mahuno. Quando António foi capturado em abril de 1993, a relação entre ambos não se quebrou. Três anos depois, casaram-se em Dare — enquanto o marido ainda estava atrás das grades. Um casamento que não foi sobre o momento certo, mas sobre um destino comum.
A independência de Timor-Leste, em 2002, não significou o fim da luta. A luta apenas mudou de forma — das armas para as palavras, da floresta para a sala de sessões. Maria Terezinha compreendeu essa transição mais depressa do que muitos, e não esperou pela sua vez de falar.
Foi eleita para seis mandatos legislativos consecutivos — um percurso raríssimo na história política de Timor-Leste. Não porque fosse sempre a mais assertiva, mas porque esteve sempre presente, sempre confiável, e soube sempre o que a sua nação jovem precisava. Do Conselho Nacional da ETTA, que redigiu a Constituição, até ao cargo de Vice-Presidente do Parlamento Nacional, o fio condutor nunca mudou: trabalho, não brilho.

O Presidente José Ramos-Horta empossa S.E. Embaixadora Maria Terezinha da Silva Viegas como Embaixadora Extraordinária e Plenipotenciária no Japão, a 18 de agosto de 2025.
A liderança da Embaixadora Viegas irá reforçar ainda mais a amizade duradoura entre Timor-Leste e o Japão. As nossas nações partilham um vínculo forjado através do apoio constante do Japão — desde infraestruturas vitais até ao desenvolvimento de recursos humanos.
Presidente J. Ramos-Horta, Prémio Nobel da Paz — 18 de agosto de 2025

Timor-Leste como 11.º membro pleno da ASEAN — Outubro de 2025
A 18 de agosto de 2025, o Presidente José Ramos-Horta confiou-lhe o mais alto mandato diplomático: Embaixadora Extraordinária e Plenipotenciária de Timor-Leste no Japão. Não foi um reconhecimento pelo passado — mas sim uma confiança para enfrentar um momento sem precedentes.
Porque, logo após a sua chegada a Tóquio, a história avançou. A 26 de outubro de 2025, Timor-Leste tornou-se oficialmente o 11.º membro pleno da ASEAN — pondo fim a duas décadas de longa luta diplomática. E é aí que ela está: na linha da frente desse novo capítulo, ao serviço de um dos parceiros estratégicos mais importantes da região.
Chegou a Tóquio não para esperar. Nos primeiros meses, já construía pontes em várias direções ao mesmo tempo — de mesas de negociação de infraestruturas a webinars com estudantes, do gabinete do Primeiro-Ministro do Japão aos jardins imperiais, de Amami-Oshima à Universidade de Gifu. O seu modo de trabalhar pouco difere daquele que tinha no parlamento: direto ao essencial, sem cerimónias desnecessárias.

Cooperação Amami-Oshima, Nov 2025

Visita do Deputado japonês Yousuke Kon, Jun 2026

Webinar da AETJ, Jun 2026

20 de fevereiro de 2026 — S.E. Embaixadora Viegas testemunha a assinatura do contrato do Terminal de Passageiros do Aeroporto Internacional Presidente Nicolau Lobato entre o Ministério dos Transportes de Timor-Leste e a TOA Corporation, em Tóquio.
O que distingue Maria Terezinha de muitos diplomatas não é o cargo que ocupa, mas a distância que mantém — ou, mais precisamente, que nunca manteve. Não ergueu muros entre si e as pessoas que representa. Ao acompanhar a assinatura de um contrato estratégico de infraestrutura, fala de padrões e prazos. Ao encontrar-se com estudantes longe das suas famílias, escuta. Ao estar num fórum diplomático de mulheres junto da Primeira-Ministra do Japão, leva consigo a história de uma pequena nação que não se deixa ver como pequena.
O seu percurso é inseparável do percurso da própria nação. Nasceu sob ocupação. Lutou quando a independência ainda era um sonho. Construiu quando esse sonho se tornou realidade. E agora está em Tóquio — não à margem da história, mas mesmo no seu centro. Timor-Leste acabou de entrar na ASEAN. A cimeira regional de 2029 será realizada na sua terra natal. E é ela o rosto que a sua nação leva a um dos parceiros mais estratégicos da região.
De Orlalan a Díli, de Díli a Tóquio — este percurso nunca foi sobre ambição pessoal. Foi sempre sobre direção. E Maria Terezinha da Silva Viegas, há muito, já sabia para onde caminhava.
Capa da Biografia Oficial · 2026 — clique para ampliar
De Laclubar a Tóquio — uma só jornada, uma só dedicação, uma nação que nunca deixou de avançar.
Embaixada da República Democrática de Timor-Leste — Tóquio, Japão • 2026